Eu era muito bem tratado pela
patroa da minha mãe e vivia brincando com os netos dela. Mas, em alguns
momentos, eu era o filho da empregada. Na hora da bagunça, só eu era
chamado à atenção. Lembro de uma vez em que todas as crianças foram
brincar na cama da avó. Ela não gostou. "Tá fazendo o quê aí, menino?",
perguntou, ríspida, para mim. Eu consigo recordar até hoje a sensação:
foi muito mais do que ficar sem graça, eu não sabia qual era o meu lugar
no mundo.
Lázaro Ramos

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